ENTREVISTA
(JANEIRO DE 2010)
Esse nosso primeiro Editorial de 2010, terá sim a minha opinião, mas não aquela opinião temática; setorizada e rasgada, as quais me lanço apaixonadamente a título de defender meus sentimentos, pois trata-se do conteúdo de uma entrevista, que concedi ao jovem, mais já brilhante Jornalista André Azenha e, que foi veiculada no SITE CINEZEN-CULTURAL.
De imediato, meus agradecimentos a André Azenha e a constatação maior de que, a Poesia, os Poetas, enfim, o meio Poético, mesmo com algumas figurinhas difíceis e metidas a estrelas e a ditadores culturais, que vemos por aí, os quais nada acrescentam ou criam para promover a nossa lírica nacional, mesmo com estes parasitas (sangue-sugas) já citados, ainda vale muito a pena se doar a Poesia!
Antônio Poeta
A seguir, a entrevista em sua integra:
Qual seria o melhor lugar para concentrar poetas do país inteiro? Um lugar paradisíaco seria ideal… Pois é, Antônio José da Silva, 57 anos, mais conhecido como Antônio Poeta, é o responsável pelo Projeto Paquetá (site oficial), que visa transformar a Ilha de Paquetá, no Rio de Janeiro, num reduto artístico-cultural que terá atividades diariamente. “De segunda a segunda, durante o ano inteiro, vai rolar poesia nas dependências culturais já existentes na ilha e em outras que surgirão com o advento desta alternativa cultural viva. Vai haver poesia no caixote, no varal, na praia, nas árvores, nas rochas e até nas barcas de travessias em seu transcurso de uma hora de viagem”, diz ele.
Antônio pode ser considerado um fenômeno na área da poesia. Começou a escrever já adulto, depois do falecimento da esposa, criou um blog no qual mal sabia mexer. O blog virou uma revista eletrônica e com outras páginas, se transformou no Portal Antônio Poeta. De forma autodidata, ele passou a atualizar o conteúdo e o layout do site, que em poucos meses agregou poetas e escritores do país inteiro, dos mais conhecidos da Poesia Web, aos novatos. Ele recebe os textos e insere no sistema. “A ideia da Revista de Poesias foi contemplar aqueles poetas, que, como eu, no início não tinham como publicar seus trabalhos, ou por não saberem criar e implementar um blog, ou por não terem grana para mandar alguém fazer e cuidar da manutenção do mesmo. Óbvio, que os poetas aos quais me refiro, por quase não mostrarem seus escritos, eram também muito pouco conhecidos, então, eu passei a convidar para perfilar com os noviços, alguns dos maiores medalhões da Poesia Web, poetas estes que não precisavam mais de qualquer divulgação, mas que, todavia, atenderam ao meu chamado e vieram para a nossa revista”, explica o poeta.
Perguntado se pensa em escrever um livro, Antônio aproveita para fazer uma revelação com exclusividade ao CineZen. “Definitivamente não. As pessoas foram acostumadas a receber dezenas de poesias diariamente pela internet e em sites de divulgação de poetas, como a nossa Revista de Poesias. Se a pessoa tem algo de graça, porque pagaria para obter esse algo? Mas, pretendo sim, e isso eu ainda não tinha revelado a ninguém e o faço agora em primeira mão a seu site, organizar uma antologia com participação dos trinta poetas mais lidos e seguidos da internet e, mais adiante, algumas antologias com os poetas da nossa revista”.
Em entrevista ao CineZen, Antônio conta como ingressou na poesia, o surgimento do Portal, explica o Projeto Paquetá, seus planos para 2010, e brinca ao ser questionado se a morte é inspiração para seus poemas, já que no Portal Antônio Poeta, na sua auto-biografia, ele faz várias solicitações aos amigos para o dia em que falecer. Abaixo, o bate papo completo:
- Na biografia em seu site, você revela que ficou viúvo e depois começou a escrever. As melhores manifestações artísticas surgem do sofrimento?
AP - Não sei se sim, mas posso afirmar, com certeza, que o sofrimento nos leva à introspecção; à busca de respostas e alternâncias, para se fugir dele, daí talvez, com a sensibilidade super aflorada, como no meu caso, sem ninguém por perto para dar colo, nos vejamos conduzidos por alguma força, energia, a desabafar sobre o papel todas as nossas certezas e incertezas, como se falássemos conosco mesmo. O legal disso é que, quando retorna a bonança, a gente já se acostumou a extravasar através das letrinhas e não consegue mais ficar sem sorver essa “cachaça”.
- Como surgiu seu interesse pela poesia?
AP - Eu sempre fui muito “opinioso”, “quixoteiro”, e só escrevia prosas filosóficas – pensamentos e crônicas. Contudo, quando iniciei o contato com a Internet, acho que ao final de 2005, percebi o imenso e intenso clamor que a poesia despertava nos leitores, principalmente, nas leitoras. Nesse momento o “pensador” baixou mais uma vez e disse de mim pra comigo: quiçá, se eu conseguisse filosofar como já faço por aí, mas usando a graça, o lirismo da coisa poética, eu não atingiria um público de leitores bem maior, enfim, alcançar além dos mais intelectualizados, também os mais sensíveis. Cometi a primeira poesia-poema, que tinha como enredo uma temática social. Corri com ele e fui mostrá-lo à minha ex-namorada, que era uma poeta razoavelmente renomada na época, perguntando a ela: Isso é uma poesia? Não deveria ter feito isso (risos), estava muito recente o nosso rompimento e ela aproveitou e foi enfática: “Tudo poder ser chamado por poesia, até mesmo isso!”… Danou-se! Na hora eu arrematei: “Me aguarde, pois eu vou ser muito mais conhecido e famoso como poeta que você!” Acho eu que o Poeta nasceu ali, naquele momento!
- E quando e como surgiu a idéia de criar o site e publicar outros poetas?
AP - Então, eu sempre fui e continuo sendo um analfabeto virtual, não manjo nada sobre computadores, só consigo fazer as coisas que de fato preciso, nessas horas eu me debruço e corro atrás até conseguir a “perfeição” pra mim. Eu dependia de outras pessoas da família para manterem o bloguinho simples e feinho que tinha no ar. Certo dia, após mais uma exibição de má vontade dessas pessoas, com relação às orientações que eu lhes pedia, resolvi cair dentro da pesquisa, do trabalho e criar o meu próprio blog. Aprendia uma coisa aqui, outra ali e, quando percebi, estava com um blog que já recebia muitos elogios por sua funcionalidade de navegação e beleza… Eu trocava o layout desse blog quase que semanalmente, para provocar a reação dos meus leitores, até que me sentisse seguro e me fixasse em um. Mas, daqui a pouco, tava eu lá mexendo e trocando tudo de novo (risos). O blog estava bonito, entretanto, era muito maçudo, isto é, tinha muito material meu e isso o fazia lento. Surgiu então a ideia de eu separar esses textos por categorias e criar um blog novo para cada uma delas. Isto feito, eu comecei a linkar os mesmos entre si e criei um portal de entrada para todos eles. Já estava craque na arte de web designer e já conseguia tirar de todos os meus blogs aquelas características peculiares dos mesmos, mas pareciam páginas de um site comum com domínio próprio… Caramba! Nessa eu enrolei muito pra responder… (risos). A ideia da Revista de Poesias foi contemplar aqueles poetas, que, como eu, no início não tinham como publicar seus trabalhos, ou por não saberem criar e implementar um blog, ou por não terem grana para mandar alguém fazer e cuidar da manutenção do mesmo. Óbvio, que os poetas aos quais me refiro, por quase não mostrarem seus escritos, eram também muito pouco conhecidos, então, eu passei a convidar para perfilar com os noviços, alguns dos maiores medalhões da Poesia Web, poetas estes que não precisavam mais de qualquer divulgação, mas que, todavia, atenderam ao meu chamado e vieram para a nossa revista, trazendo com eles os seus milhares de leitores, que ao estarem na revista, sempre clicavam na página de um ou outro dos novos. Com isso, hoje na revista não há mais desconhecidos, pois a publicação lançou a todos nacionalmente.
- Você é o idealizador do projeto Paquetá. Do que se trata?
AP - Hoje sou o idealizador, ou melhor, o coordenador da equipe que está fazendo tudo isso virar realidade, já que eu fui o sonhador desse sonho, que reputo ser uma forma de busca do resgate cultural e artístico da Ilha de Paquetá e, quem sabe, da própria poesia. Quem já conhece a Ilha de Paquetá, bem sabe que não há lugar geograficamente mais apropriado, liricamente privilegiado pela beleza natural de sua geografia, um paraíso distante apenas 16 quilômetros da Praça XV, no centro histórico da cidade do Rio de Janeiro. Constitui-se no bairro de Paquetá, esse tradicional e pacato recanto turístico da cidade maravilhosa. O acesso à Ilha imortalizada desde a época do Império é oferecido através de barcas, lá não podem trafegar automóveis, motos ou quaisquer outros tipos de veículos mecânicos. O transporte local ou turístico em Paquetá ainda é feito como na época do Império: em pêlo de eqüinos, charretes ou bicicletas. A natureza é farta e preservada, diversas são as praias, trilhas e reservas destinadas ao deleite poético da população local ou visitante. A despeito dos prováveis descrentes que não sonham, tudo vai acontecer com muito trabalho, com a criação de um grupo multifuncional que envolverá órgãos públicos e pessoas amantes da poesia, capazes de se doarem por essa realização. Em “Paquetá – A Ilha da Poesia”, nós não teremos dias marcados para poetar, muito embora, em nosso Projeto Oficial, haverá um calendário anual de atividades artísticas múltiplas – fazer saraus, luaus ou encontros de mera confraternização artística, pois ela será e estará sempre lá, à disposição dos diversos grupos organizadores de saraus, luaus, lançamentos de livros, feiras literárias, excursões de escolas e universidades ou congressos. De segunda a segunda, durante o ano inteiro, vai rolar poesia nas dependências culturais já existentes na ilha e em outras que surgirão com o advento desta alternativa cultural viva. Vai haver poesia no caixote, no varal, na praia, nas árvores, nas rochas e até nas barcas de travessias em seu transcurso de uma hora de viagem. Paquetá será visita certa de todo poeta do Rio de Janeiro e Grande Rio, inclusive daqueles que estiverem em trânsito pela cidade maravilhosa e, principalmente, daqueles que, mesmo não sendo poetas, amem com profundidade essa nossa arte incorporada ao sangue do povo brasileiro. Poetas desse nosso imenso Brasil e de outras nações de língua portuguesa, quiçá, a poesia agora possa ter como seu habitat a Ilha de Paquetá!
- Quem o apoia nesse projeto?
AP - André, todos que conhecem esse projeto se apaixonam por ele e de pronto, se colocam a divulgá-lo e a incentivá-lo. Foi criado uma rede de divulgadores na net, que nem mesmo os mais otimistas “sonhadores” poderiam imaginar. Veja bem, que não falo tão somente dos poetas, mais ainda dos amantes da poesia, que diariamente multiplicam esse sentir solidário, para que a poesia tenha em definitivo o seu habitat oficial, entretanto, que não fique apenas nas “costas” da poesia, essa imensa responsabilidade de alavancar a nossa Ilha de Paquetá aos seus mais áureos e glamourosos tempos idos. A nossa ONG, Paquetá a Ilha da Poesia, será multicultural e abrigará em seu seio de mãe das artes, toda e qualquer manifestação artística de qualidade, ofertando a comunidade local, seus veranistas, artistas e amantes das artes em geral, um espaço geográfico de raríssima beleza natural, coordenado por um grupo multifuncional, que envidará todos os esforços e recursos possíveis para colocar a Ilha de Paquetá como referência cultural para o mundo.
- Na sua apresentação no site (Portal Antônio Poeta), você faz algumas piadas com relação à morte. A morte é inspiração para sua poesia?
AP - Não… Acho que não. Eu sou reencarnacionista e nem creio em “morte” nesse contexto de “fim” ao qual a maior parte das pessoas se referem por herança cultural. Eu sou um metro-eremita, ou seja, sou um cara muito sozinho, mesmo vivendo em meio a tanta gente, aliás, creio mesmo, que todo pensador livre ou formador de opinião do tipo convicto, assim o é, pois ele, mais que ninguém, precisa de quietude e solidão para poder pensar muito e sobre tudo. Mesmo sendo meio “bicho do mato”, eu sou dotado de um bom humor raro, ou seja, eu amo rir com as coisas dos outros e amo fazer os outros rirem com as minhas coisas. Então, pensei pra mim e para todos que estiverem em meu funeral (eu com certeza estarei lá), momentos lúdicos e alegres, sem dores ou consternações… E ai daqueles próximos que não realizem essas minhas vontades pós-morte (risos).
- Qual sua opinião sobre o mercado editorial brasileiro atual? Há apoio aos novos escritores? O que pode ser feito para melhorar?
AP - 1 – Não há um mercado editorial. O que há nos dias de hoje, com o capitalismo agressivo das editoras e distribuidoras, é uma “panela editorial”, onde só penetram os escritores que tem grana para bancar seus livros ou aqueles que, independentemente de serem ou não bons escritores, possuam algum tipo de apadrinhamento dentro da grande mídia ou sobrenome famoso, pois que estes acabam por ser adotados, produzidos e divulgados.
2 – Não há qualquer apoio aos novos escritores. Quando alguém, que não se enquadra nos perfis que citei no tópico anterior, no máximo o que as editoras fazem, é aceitar os originais do escritor e informá-lo que em noventa dias o conselho editorial da empresa enviará ao interessado a sua decisão. O escritor vira as costas e a secretária de imediato joga o seu original em um arquivo e ponto final.
3 – O que tem de ser feito é impossível dentro dessa visão mercantilista, que também já citei, isto é, seria os conselhos editoriais de hoje agirem como os de antigamente, avaliando com probidade as boas obras, encarando e assumindo o risco da edição não ser um sucesso total… Mas isso, dentro do atual contexto, já seria sonhar muito, não é verdade?
- Quais seus planos para 2010 no ramo da poesia? Pretende lançar algum livro?
AP - Definitivamente não. As pessoas foram acostumadas a receber dezenas de poesias diariamente pela internet e em sites de divulgação de poetas, como a nossa Revista de Poesias. Se a pessoa tem algo de graça, porque pagaria para obter esse algo? Mas, pretendo sim, e isso eu ainda não tinha revelado a ninguém e o faço agora em primeira mão a seu site, organizar uma antologia com participação dos trinta poetas mais lidos e seguidos da internet e, mais adiante, algumas antologias com os poetas da nossa revista. Mas não seriam antologias nos moldes daquelas que corriqueiramente vemos por aí. Essas antologias teriam cada qual um poeta coordenador e seria esse poeta responsável por convidar o elenco que iria compor a antologia com ele, possibilitando, assim, que as pessoas e seus estilos sejam mais empáticos entre si. Ainda seria exigido dos poetas participantes que assumissem moralmente virem ao lançamento das antologias, o que fatalmente ocorreria em Paquetá, independentemente do estado em que residissem.
- Fique à vontade para deixar um recado aos leitores do CineZen.
AP - André, meu amigo, primeiro te agradecer em meu nome e em nome da equipe do Portal Antônio Poeta http://antoniopoeta.blogspot.com/ a oportunidade rara e edificante de poder estar aqui falando para um público tão intelectualizado e antenado com a arte em todas as suas nuances e com a cultura literária. Aos seus leitores (nossos, nesse momento), rogar a eles que visitem o Blog Oficial do Projeto Paquetá e, querendo nos ajudar a levar ainda mais adiante essa nossa realização, que nos divulguem de todas as formas possíveis, para que em definitivo não fique ninguém ligado à arte, sejam produtores ou consumidores, sem conhecer o Projeto Paquetá – a Ilha da Poesia. Obrigado a todos!



